ESTRUTURA PARA ORGANIZAR O DESENVOLVIMENTO

           

Metodologia - Coleta de Dados

Segundo Cartoni (2007), se o pesquisador executa seu trabalho valendo-se de questionários aplicados ao objeto de seu estudo, com a finalidade de coletar dados que lhe permitam responder ao problema, a pesquisa é denominada de campo.


Metodologia - Coleta de Dados

1. Inicialmente devemos realizar uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto em questão (tal estudo nos informará sobre a situação atual do problema, sobre os trabalhos já realizados a respeito e sobre as opiniões reinantes, permitirá o estabelecimento de um modelo teórico inicial de preferência, auxiliará no estabelecimento das variáveis e na própria elaboração do plano geral de pesquisa).

 

2. Após a pesquisa bibliográfica prévia, de acordo com a natureza da pesquisa cumpre determinar as técnicas de registro desses dados e as técnicas de sua análise posterior.


Entrevista

Consiste no diálogo com determinada fonte de dados relevantes para a pesquisa planejada.
                             
- Salienta-se que os quesitos da pesquisa devem ser bem elaborados e o informante deve ser criteriosamente selecionado;

- O entrevistador deve ser discreto e deixar o informante à vontade, embora seja sua função dirigir a entrevista e mantê-la dentro dos propósitos dos itens preestabelecidos, sendo habilidoso ao evitar que o diálogo se desvie dos propósitos da pesquisa;

- É importante salientar que o entrevistador deve apenas coletar dados e não discuti-los com o entrevistado; conclui-se que o entrevistador deve falar pouco e ouvir muito;

- O número e a representatividade dos entrevistados devem ser tais que possam apoiar e validar os resultados da pesquisa;

O entrevistador não deve confiar excessivamente em sua memória; portanto, deve anotar cuidadosamente os informes coletados. Gravar a entrevista é uma maneira eficiente de tirar melhor proveito. A gravação é útil quando se quer recorrer a certa entrevista no sentido de tirar alguma dúvida.

Questionário

Tem a vantagem de poder ser aplicado simultaneamente a um grande número de informantes; seu anonimato pode representar uma segunda vantagem muito apreciável sobre a entrevista;
                                              
- O questionário deve apresentar todos os seus itens de forma clara e que possibilite ao informante responder com precisão;

É importante que haja explicações iniciais sobre a seriedade da pesquisa, importante da colaboração e sobre a maneira correta de preencher o questionário (ou formulário).



Um estudo de caso é uma pesquisa empírica que:

1. Investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto real;

2. As fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes;

3. Múltiplas fontes de evidências são utilizadas.


Aplicações do estudo de caso:

1. Explicar ligações causais em intervenções ou situações da vida real que são complexas demais para tratamento através de estratégias experimentais ou de levantamento de dados;

2. Descrever um contexto de vida real no qual uma intervenção ocorreu;

3. Avaliar uma intervenção em curso e modificá-la com base em um estudo de caso ilustrativo;

4. Explorar aquelas situações nas quais a intervenção não tem clareza no conjunto de resultados.


Componentes do "desenho" da pesquisa

1. Identificar, claramente, quais as proposições orientadoras do estudo, enunciadas a partir de questões secundárias e qual a unidade de análise (indivíduo, organização, setor, etc.).

2. Estabelecer a lógica que ligará os dados às proposições do estudo

3. Critérios para interpretar os achados – referencial teórico e categorias.


Obs.: Não se deve confundir "generalização analítica" – própria do estudo de caso – com "generalização estatística". O que se generaliza, no estudo de caso, são os aspectos do 'modelo teórico encontrado'.


Argumentos mais comuns dos críticos do estudo de caso:

1. Falta de rigor

2. Influência do investigador – falsas evidências.

3. Fornece pouquíssima base para generalizações

4. São muito extensos e demandam muito tempo para serem concluídos.


Respostas às críticas:

1. Há maneiras de evidenciar a validade e a confiabilidade do estudo;

2. O que se procura generalizar são proposições teóricas (modelos) e não proposições sobre populações. Nesse sentido os estudos de casos múltiplos e/ou as replicações de um estudo de caso com outras amostras podem indicar o grau de generalização de proposições.

3. Nem sempre é necessário recorrer a técnicas de coleta de dados que consomem tanto tempo.


Obs.: A essência de um estudo de caso – ou a tendência central de todos os tipos de estudo de caso – é que eles tentam esclarecer "uma decisão ou um conjunto de decisões: Por que elas foram tomadas? Como elas foram implementadas? Quais os resultados alcançados?


Critérios para a preparação para a condução de um estudo de caso:

1. Ter acumulado conhecimento considerável sobre o tema em questão (seja através de revisão bibliográfica ou outros estudos), pois a coleta e a análise ocorrem ao mesmo tempo.

2. O pesquisador deve ter uma postura de neutralidade para evitar a introdução de viés ou de noções pré-concebidas. Para tanto, sempre que possível deve documentar os dados coletados.

3. Conseguir acesso à organização-chave e/ou aos entrevistados-chave;

4. Munir-se de recursos suficientes para o trabalho em campo (material local p/ anotações etc.)

5. Desenvolver um procedimento para receber ajuda ou orientação de outros investigadores;

6. Criar um cronograma relacionando as atividades de coleta de dados em períodos específicos de tempo;

7. Preparar-se para a ocorrência de eventos inesperados (mudança na disponibilidade dos entrevistados etc.).

8. As questões são formuladas para o pesquisador e não para os respondentes;

9. Cada questão deve vir acompanhada por uma lista de prováveis fontes de evidência. Essas fontes podem incluir entrevistas individuais, documentos ou observações, pois a associação entre questões e fontes de evidência é extremamente útil na coleta de dados.

10. Quando possível podem ser realizados estudos de casos-piloto que, evidentemente oferecem melhores condições quando da realização do estudo de caso propriamente dito.

 

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